segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Medo de não agradar?!

Todo esse sofrimento, esta angustia... será medo de desagradar o meu interlocutor?? Tenho muita vontade de me tornar uma blogueira com textos legais, que as pessoas leiam e se divirtam ou pensem a respeito de alguma coisa, mas não faço. Será receio do que pode vir... das discordâncias, dos conflitos, dos embates.
Para pensar...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Acho que vou deitar no sofá e assistir sessão da tarde...

Faltando 2 dias para completar 36 semanas de gravidez, a minha viagem para SP hoje à tarde para reunião do grupo de estudos pois a carona não vai poder devido a compromissos de trabalho. O filho mais velho dá um show para almoçar e a mãe - isto é, eu - dá um show maior ainda e fica aqui sem conseguir sair do lugar se sentindo culpada, a mais culada do universo. Tenho uma dissertação para escrever, armários para organizar, louça para lavar, roupa para pendurar e nenhum ânimo para me levantar. Daí li um texto da Carrrie, maravilhoso , que me lembrou uma grande amizade com um primo na minha infância e chorei, chorei e chorei... e vim pra cá escrever. Vamos ver se melhora, né. Eu sempre me sinto devendo, e o mais louco é que acho que não tenho o direito de ficar mal pois toda a humanidade sofre e os meus problemas tão pequenininhos... mas, enfim, eu acho que não li tudo o que deveria, que não pesquisei em todas as fontes, que não consegui perceber tudo que era possível, que meus textos não ficam bons, que sou desorganizada, que não consegui sistematizar as informações, que não me apropriei do referencial teórico, que não conheço suficientemente os estudos produzidos com temáticas que se aproximam - isso, escrituristicamente falando. Oralmente, a coisa piora, eu fico sempre muito constrangida, não consigo elaborar os argumentos para expor, se consigo, no meio da fala, me confundo toda, deixo de falar muita coisa pois tenho receio de ficar nervosa e acabar me alterando, e se alguém fala alguma coisa que eu pensei, fico com raiva de não ter dito antes. Eu me irrito muito com tudo, com as pessoas, comigo... fico criticamente observando como as mães da outras crianças agem, faço o mesmo comigo. Me sinto sempre como uma cachorrinha correndo atrás da roda de um carro que nunca pára.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Poema em linha reta

Fernando Pessoa

(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.