terça-feira, 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Medo de não agradar?!
Para pensar...
quarta-feira, 23 de março de 2011
Acho que vou deitar no sofá e assistir sessão da tarde...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Poema em linha reta
(Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Na praia
O livro é ótimo de ler. Envolvente, dinâmico, inteligente. O escritor tem uma sacada, realmente. Mas... provavelmente por "ossos do ofício" achei-o excessivavemente - o que nós historiadores chamamos de - teleológico. A sacada se fundamenta na ironia do destino de um casal inglês "vítima da moral repressiva herdada da era vitoriana"* pouco antes (1962) da revolução sexual e de costumes. Acho que está aí a fragilidade da narrativa. Pra mim, falta sutileza e a dimensão de que é um processo. Fica um pouco artificial... Outra coisa, é que o texto consegue construir de um jeito muito sensível a relação da protagonista Florence com o sexo. A descrição do que ela sente, as palavras utilizadas - que são extremamente recorrentes quando o assunto é sexo - e que são muito agressivas - invasivas mesmo - é genial. Penso que no final, Edward - o homem - acaba se tornando quase o único foco e isso é uma perda no equilíbrio na descrição das personalidades, sentimentos e narrativas das experiências do casal.
*comentário na contracapa do livro

